Mais três níveis de desconfinamento. O que propõem os peritos?

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Um estudo de especialistas apresentado esta sexta-feira ao Governo propõe a criação de três novos níveis para o desconfinamento à medida que a situação da pandemia evolua favoravelmente. Conheça as medidas propostas.

Com a quase totalidade do país no nível 1 do plano de desconfinamento iniciado a 5 de março, um estudo de especialistas com propostas para novos alívios das restrições foi apresentado esta sexta-feira na reunião do Infarmed de avaliação à situação epidemiológica. 
A médica pneumologista Raquel Duarte propôs que sejam definidos “três novos patamares de desconfinamento”, passando a haver cinco níveis de abertura, que permitam “um recuo progressivo no caráter impositivo e restritivo das medidas e o investimento numa estratégia de comunicação de crise eficaz e na criação de condições ambientais propiciadoras de tomadas de decisão conscientes e
saudáveis”.

Os três novos patamares são designados por A, B e C, sendo o A o menos restritivo.

A médica do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto defendeu ser preciso apostar na “ventilação eficaz dos espaços interiores”, passo relevante no verão e também no inverso quando forem retomadas as atividades escolares, entre outras”. “Cada local deverá ter as suas especificações em termos de ventilação que devem ser avaliadas, monitorizadas e garantidas”.

Será preciso continuar a apostar na “velocidade da vacinação” e numa “política de testagem alargada, focada obviamente em áreas geográficas e populações de maior risco”. A “obrigatoriedade das medidas de proteção individual” tais como a utilização obrigatória de máscara, o respeito pelas regras sanitárias ou a promoção de “bolhas” de contactos foram outras recomendações feitas por Raquel Duarte.
Outras “recomendações gerais” feitas consistem numa “gestão da pandemia feita a partir do modelo de redução de risco e na minimização dos danos”.
Tendo em conta a crescente confiança na vacinação e a fadiga pandémica, a perita avisou que as pessoas vão querer “recuperar os meses de privação e vão querer interagir e ter outros comportamentos sociais de interação”. Como tal, “aquilo que é preciso é recuar o carácter impositivo e restritivo das medidas e investir mais numa estratégia de comunicação de crise eficaz e na criação de condições ambientais propiciadores de tomadas de decisão conscientes e saudáveis”, sustentou.
Assim, outra recomendação vai no sentido de que “haja uma organização concertada, organizada [e] controlada de pequenos e médios eventos recreativos em cadência, diversos, com intensidade suficiente de forma a dispersar os diferentes públicos”. “É importante abranger todos os públicos-alvo, garantindo sempre que há um cumprimento das medidas gerais: distância [e] utilização de máscara”.
“Deve ser promovida e incentivada a ocorrência de eventos culturais, desportivos, de lazer, em total respeito pelas melhores práticas organizativas, nomeadamente privilegiando espaços ao ar livre, o recurso à sinalética, circuitos bem definidos, logísticas bem adequadas”, prosseguiu, insistindo ainda na importância de “restringir a circulação de e para os países que tenham variantes perigosas”, o que exige “vigiar as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas”.

Por exemplo, na restauração, a fase C apenas aumenta o número de pessoas por mesa nas esplanadas de 10 para 15. Na fase B esse número sobe para 20 e nas mesas no interior a lotação sobe de seis para oito pessoas. Na fase A já não exisitiria qualquer restrição em termos de lotação.

No comércio, os peritos defendem o fim das limitações de horário a partir logo da fase C.

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